A importância da Avaliação Física



Por Cíntia Catherine


É fato que, nesse período pós-pandemia, as pessoas estão procurando cada vez mais as práticas desportivas, sejam elas ao ar livre ou em ambiente fechado, como nas academias. Mas, infelizmente, esquece-se que o conhecimento da sua condição física atual se faz necessário para que seja possível detectar e/ou prevenir algum tipo de doença e quantificar e qualificar a intensidade/volume adequada para a rotina de exercícios a ser seguida. E com isso, alcançar os resultados esperados, sejam eles estéticos, profiláticos ou visando resultados desportivos, por exemplo. Muitas pessoas, as vezes por falta de conhecimento, não colocam no roteiro da prática de exercícios físicos a realização de uma Avaliação Física, bem como também se deixam influenciar por vários outros fatores, Ex.: às vezes, o profissional não orienta o cliente sobre a importância de realizar a avaliação física, ou o cliente não quer fazê-la, por achar que vai ser um gasto a mais ou um serviço desnecessário e caro. Esses são apenas alguns dos argumentos mais frequentes no ambiente das academias.

Embora já tenhamos academias em que o cliente, ao fazer a matrícula, já tem a avaliação física inclusa no valor, tem outras que dão a opção do cliente se matricular com ou sem a realização da avaliação física, até porque, ainda hoje, temos resistência dos próprios alunos para aderir a avaliação no seu processo de treinamento. Porém, iniciar uma prática desportiva sem o mínimo conhecimento é o mesmo que caminhar com os olhos fechados e tentar chegar a algum lugar. É fundamental estabelecer metas e estratégias para o alcance dos objetivos almejados e isso só é possível através da verificação das variáveis envolvidas, para que, a partir da análise dos dados, possa ser estabelecido o melhor planejamento a ser iniciado e/ou mantido, algo que podemos obter através de uma avaliação física.


Quando damos início a um planejamento de prática de exercícios físicos é fundamental fazer primeiramente uma avaliação médica, onde, ao comunicar que o motivo da consulta é uma avaliação de saúde pra prática de exercícios, a avaliação passa a ter como objetivo a identificação de doenças preexistentes ou suspeita das mesmas, determinando o tratamento mais adequado, principalmente se o indivíduo tiver alguma patologia ou DCNT(Doença Crônica Não Transmissível), finalizando a consulta com um atestado de saúde ou de aptidão física, habilitando a pessoa a prática de exercícios. Dessa maneira, o cliente, ao chegar na academia e apresentar o atestado de saúde, com base nos dados do documento, terá do educador físico uma triagem inicial, através de uma anamnese, e, em sequência, a avaliação propriamente dita, com aferição de circunferência e dobras cutâneas referentes a parte de cine antropométrica, seguindo de um acompanhamento periódico da evolução dos resultados obtidos, buscando sempre a melhor estratégia e ergonomia no alcance dos mesmos, traçando estratégias ou adaptações a qualquer indício de patologia, limitações articulares ou observações descritas no atestado de saúde dado pelo médico. Dentro das variáveis da avaliação cine antropométrica, temos a obtenção dos dados relacionados ao corpo do avaliado. São os diâmetros ósseos, perímetros (circunferências) corporais e dobras cutâneas. Através dessas medidas, pode-se observar a densidade óssea, o somatório (tipo corporal de acordo com a constituição física), verificar a simetria entre os segmentos corporais (tronco e membros superiores e inferiores) e a determinação da composição corporal (peso de gordura, peso ósseo, peso muscular, peso visceral, peso de gordura em excesso e peso alvo), respectivamente.

Existem muitos protocolos para a observação desses dados, mas os acima citados, são mais utilizados devido ao baixo custo e alta produtividade. Ainda dentro desse contexto, temos a Avaliação Neuromotora: análise das valências físicas, força ou “resistência” muscular e flexibilidade, como também a Análise Postural: através da verificação visual ou com a ajuda de instrumentos específicos (simetógrafo, fio de prumo, etc.), quando o avaliador verifica qualquer desequilíbrio postural e o alinhamento do corpo do avaliado. Por fim, a Avaliação da Capacidade Cardiorrespiratória, com o objetivo de avaliar a capacidade cardíaca e respiratória durante o volume e intensidade dos exercícios com o objetivo de potencializar essas valências, além de promover segurança e eficácia muito maior nas atividades desempenhadas.


Apesar de todas as etapas de Avaliação Física serem indispensáveis, gostaria de destacar a etapa correspondente à aferição da Composição Corporal, a qual podemos iniciar com IMC (índice de massa corporal) e, após, com a aferição das dobras cutâneas, as quais respeitam vários protocolos. Porém, o que pretendo deixar claro é que o peso corporal que visualizamos na balança não se refere somente ao peso de gordura. Sendo que a maioria das pessoas, ao iniciarem a prática de exercícios ou uma dieta, se pesam com a ideia padrão do “perdi 10kg ou 3kg”, sendo que não têm como especificar a totalidade do peso visualizado na balança, separando as porções de percentuais de gordura ou até mesmo de massa muscular. Sabendo disso, podemos dizer que o peso corporal é a soma de massa de gordura, da massa óssea, da massa muscular e da residual (incluindo órgão e pele). Simplificando essa classificação, a função da utilização dos dados é determinar a distinção e separação desse fracionamento corporal, principalmente de massa muscular e massa de gordura ou porcentagem de gordura.


Portanto, fique em alerta quando, sem orientações de um educador físico ou nutricionista, você visualizar na balança uma perda de peso significativa em curto período e, aliado a isso, ter sintomas de fadiga muscular ou fraqueza. Isso pode ser um sinal, onde, além de não ter o acompanhamento de um profissional habilitado, está apresentando um desequilíbrio, tanto nos exercícios que podem estar sendo feitos em demasia ou na alimentação com alta restrição calórica, no intuito desesperado de perder peso, onde, além das estratégias errôneas para emagrecer, tem a questão de você não saber distinguir no seu peso corporal, mediante a balança, se aqueles tão sonhados 3kg a menos em uma semana foram realmente somente de percentual de gordura, o que é muito improvável nessas condições, ou se foram 2kg de massa magra e 1kg de gordura, pense nisso.

Ainda dentro dos dados obtidos na aferição de Dobras Cutâneas, podemos ter vários outros benefícios e informações, tais como: identificar os riscos de saúde do cliente associados com valores muito altos e baixos de porcentagem de gordura corporal, o que vai influenciar no risco de doenças metabólicas ou cardiovasculares, como também avaliar os efeitos das intervenções nutricionais e de programas de exercícios físicos nas alterações da composição corpórea. Podemos estimar o peso ideal referente ao sexo, altura e idade e, por fim, monitorar o desenvolvimento e modificações da composição corporal durante o processo de emagrecimento (redução de gordura) ou hipertrofia (ganho de massa muscular), o que significante na última opção, associamos ao ganho de peso, porém com baixo índice de gordura corporal. Isso tudo vai variar de acordo com o objetivo do seu cliente.

Com tudo que foi esclarecido acima, preferencialmente, a Avaliação Física deve ser realizada antes do início das atividades físicas e repetida em períodos regulares (geralmente 03 meses), para um melhor acompanhamento dos resultados. Para os atletas, os métodos são mais sofisticados, mais caros e, quase sempre, invasivos (perfuram ou cortam o indivíduo ou colhem seu sangue, para análise laboratorial). Isso, no geral, não se refere ao perfil de pessoas que frequentam as academias, apesar de, ainda, a maioria dos alunos não ter a frequência de realizar avaliação física nas academias de musculação.


Ainda tem um fator de risco maior, referente as modalidades coletivas: dança, ginástica, boxe, capoeira, funcional e outros, onde os alunos não têm o hábito de fazer a Avaliação Física no processo inicial e nem periodicamente. E isso pode ser até questionado: qual seria a necessidade de fazer uma avaliação nesses casos?


Bom, partindo do pressuposto que o instrumento de trabalho em ambos os casos, seja na área de musculação ou nas modalidades, será o corpo humano e o desenvolvimento das suas valências físicas, onde cada modalidade se recruta uma valência especifica (Ex.: dança trabalha mais cardiovascular, caracterizado como exercício aeróbio e a musculação trabalha força e estímulos neuromusculares caracterizando um exercício anaeróbio), então porque não fazer uma avaliação física com um profissional, se isso vai proporcionar uma maior segurança para o treinador e, principalmente, para o aluno, no que se refere ao treinamento físico em si, pois, só através de dados claros, é possível alcançar as metas desejadas.


Em suma, vale ressaltar que a avaliação física é importante, do ponto de vista da saúde, e, para termos entendimento do nosso corpo, em nossas capacidades físicas e sua interação e desempenho, durante o processo de treinamento físico. Com isso, chegamos à conclusão de que, independente da modalidade ou academia, após ter seu atestado de saúde, procure um profissional de educação física e realize sua avaliação.


Bons treinos ! Cíntia Catherine Bueloni

Pós graduada em fitoterapia

aplicada a nutrição clínica,

Educadora física, Personal treiner

e Acadêmica de nutrição.

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