A importância da dança no tratamento da depressão




Por Cíntia Catherine


Estamos no mês de setembro, conhecido como Setembro Amarelo, que é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015, quando tivemos o dia 10 de setembro como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.


No Brasil, 5,8% da população sofre de depressão, taxa acima da média global, que é de 4,4%. Isso significa que quase 12 milhões de brasileiros sofrem com a doença, colocando o país no topo do ranking no número de casos de depressão na América Latina, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Enquanto no mundo houve uma redução nas mortes por suicídio nos últimos anos, em cerca de 32%, o Brasil segue na contramão desta tendência, tendo registrado, entre 2006 e 2015, um aumento de 24% no número de suicídios cometidos pela população de 10 a 19 anos.


A depressão é um transtorno mental que produz alterações do humor caracterizadas por uma tristeza profunda, relacionada com sentimentos de dor, baixa autoestima, distúrbios do sono e apetite, e, até, falta de concentração, resultando numa doença psicológica, nos casos mais graves resultando em suicídio, principalmente quando não diagnosticada e tratada. Anualmente, 800 mil casos de suicídio são registrados no mundo. Os indivíduos geralmente estão num estado emocional de valências negativas. Exemplo disso é a apatia, diretamente ligada a ausência de esperança, um sintoma muito comum para quem sofre de depressão. É considerada também uma sensação de baixa vibração, pertencente ao polo de emoções que atrapalham a evolução, o crescimento e o aprendizado, segundo Dr. David Hawkins. As pessoas no estado de apatia, encontram-se paralisadas diante das circunstâncias da vida, ou desesperadas a ponto de cometer suicídio.


Algo que podemos perceber em pessoas depressivas, além das disfunções emocionais, são as alterações físicas. Algumas pessoas emagrecem, ouras ganham peso, o que pode estar aliado a transtornos alimentares como: anorexia, bulimia ou compulsão alimentar. Como também outros podem desenvolver vícios como tabaco ou alcoolismo.



E dentro desse contexto de promoção a saúde e práticas interativas de saúde, a dança entra como ferramenta, trabalhando a parte física e mental, fazendo parte não somente de uma prática de exercício físico mas também uma arte que significa expressões gestuais e faciais através de movimentos corporais, emoções sentidas a partir de determinado estado de espírito. Podemos entender que a dança é uma forma de comunicar e expressar nossas emoções. Essa prática de atividade leva o indivíduo a ter mais motivação, autoestima e autodeterminação. Nas academias, a procura pela dança é muito grande. Um dos motivos é o fato de as pessoas estarem acima do peso normal e buscarem meios de alcançar resultados que promovam a autoestima, visando assim a uma boa aparência da sua imagem corporal. A disposição de quem pratica atividade física pode aumentar, facilitando a realização de tarefas diárias, sem dar espaço ao sedentarismo e até mesmo às doenças. Segundo Suster (2011, p.29), “a dança enquanto atividade física tem muitos benefícios, melhora elasticidade muscular, melhora movimentos articulares, diminui o risco de doenças cardiovasculares, problemas no aparelho locomotor e sedentarismo, reduzindo o índice de pressão”.


Como assegura a autora, a prática de atividade física como a dança, garante melhoria na saúde das pessoas, inclusive em relação a doenças psicológicas, além de fazer novas amizades. A dança proporciona o bem-estar, relaciona-se ao sentir-se bem consigo mesmo, causando alegria e diversão durante suas práticas. A pessoa alegre automaticamente tem uma autoestima elevada e esse fator já é bastante importante na concepção de convívio social, sendo uns pontos positivos pra combater a depressão.


Em 2011, foi realizado pela turma de Educação Física da Universidade Federal do Triangulo Mineiro um estudo o qual teve como objeto a dança inserida na Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS), no eixo prática corporal/atividade física, enfatizando as ações de intersetor alidade e mobilização de parceiros na busca por incentivar práticas corporais em saúde na comunidade. O projeto de extensão Grupo Experimental de Dança (GED) teve início em março de 2011 com três objetivos fundamentais: capacitar novos professores para o trabalho com a dança, possibilitar e massificar a prática da dança e ampliar a linguagem artístico-cultural da comunidade UFTM. Atualmente o GED conta com uma coordenação geral e cinco monitores, todos da Educação Física e atende, diretamente, cerca de 90 alunos, advindos de diferentes cursos e setores da instituição e também da comunidade externa e tem conteúdo básico programado para todas as aulas (dança do ventre, jazz, ritmos, dança de salão, ballet), divididos em turmas heterogênias e faixa etárias distintas.


Ao final, o estudo apontou, nos aspectos positivos, os benefícios entre os grupos, a relação de afetividade entre os indivíduos, as conversas entre eles nos alongamentos e, ao final das atividades, as expressões de seus sentimentos e, de forma espontânea, as falas de suas expectativas, seus sonhos realizados, como entrar no palco e vencer a timidez, superar-se dia após dia.


No aspecto físico observou se o aprimoramento de habilidades cognitivas, sensação de renovação com menos dores lombares, sensação de bem estar, diminuição da timidez e melhora no relacionamento interpessoal, aumento do rendimento acadêmico, melhora na autoestima e capacidade de superação, bem como maior envolvimento e cuidado com o corpo.


O único malefício destacado foi à dor, devido à exigência do corpo quanto a movimentos de alto impacto, sendo mesmo assim, exposto como algo pequeno diante dos benefícios, e até esquecido durante as aulas, sendo que, essa última, como instrutores de dança ou qualquer outra atividade física, devemos ficarmos atentos as limitações físicas de cada um, oferecendo alternativas de adaptações para a execução de forma segura e confortável de cada indivíduo. Enquanto exercício físico, a dança auxilia na redução das DCNT (doenças crônicas não transmissíveis) como por exemplo: obesidade, diabetes, hipertensão, dislipidemias. Além da melhoria dos processos psicomotores como: coordenação, equilíbrio, agilidade, flexibilidade e ritmo.


Com tudo que foi abordado, está mais do que comprovado que a dança envolve benefícios tantos físicos quanto mentais, que, ao pesquisar nas literaturas, existem uma gama de estudos sobre o efeito positivo não só em pessoas com doenças psicológicas como também em grupos especiais: Cadeirantes, Síndrome down, Cegos, Idosos e Crianças. Pensando nisso relacionei algumas alternativas de dança e modalidades que você pode se interessar a praticar:


  • Dança de salão - tipo de dança que tem como característica ser pessoal e permitir variações. Existem passos e regras a serem seguidas, as quais caracterizam cada ritmo. Um aspecto marcante de sua performance é a sensualidade e elegância entre quem a dança, sendo uma boa sugestão pra casais ou conhecer um parceiro de dança e, quem sabe, pra vida.


  • Dança do ventre - essa dança, além de ser sensual, traz benefícios ao corpo e à mente. Com movimentos que exaltam a beleza do corpo da mulher, a prática desta dança melhora a postura, modela a cintura, além de trabalhar a autoestima feminina.


  • Aula de Yoga - é uma prática que tem como objetivo trabalhar o corpo e a mente de forma interligada, com exercícios que auxiliam para o controle do estresse, ansiedade, dores no corpo e na coluna, além de melhorar o equilíbrio e promover a sensação de bem estar e a disposição, podendo ser praticada por homens, mulheres, crianças e idosos.


  • Aula de Jump - auxilia na melhora da oxigenação do organismo e também na circulação sanguínea, contribuindo para a redução do acúmulo de tecido adiposo, ou seja, a gordura que provoca a celulite. Este tipo de exercício também auxilia no ganho de equilíbrio corpóreo, eliminando as toxinas dos tecidos.


  • Aula de zumba - a zumba se diferencia das outras atividades aeróbicas porque a mistura de ritmos feita durante a aula provoca uma oscilação da frequência cardíaca, que faz com que o aluno experimente diversos níveis de intensidade e, com isso, possibilita um gasto calórico mais alto e mais eficiente. Beneficia a coordenação motora, deixando os reflexos mais rápidos e melhora o equilíbrio. Isso tudo devido aos movimentos da zumba, que mistura movimentos rápidos e lentos, variando a velocidade, dando ênfase nos músculos inferiores (músculo da coxa, glúteo e músculos posteriores da coxa e panturrilha), ou seja, uma ginástica aeróbica disfarçada de dança.



Com as alternativas de danças e modalidades, agora basta analisar qual se identifica com você e correr pra o abraço, lembrando sempre que deve ter um profissional habilitado, pra desenvolver essas modalidades, até porque, mesmo a dança sendo uma expressão da cultura corporal do movimento, também não deixa de ser um exercício, onde a ferramenta principal é o seu corpo. Vale ressaltar a importância do profissional estar atento as limitações das capacidades física e articulares de cada indivíduo, oferecendo alternativas de adaptações com segurança e satisfação que toda a prática de exercício físico deve ter.


Finalizando, mediante a Campanha do Setembro Amarelo, deixo essa mensagem: Grandes Mudanças começam com Pequenas Atitudes. Por tanto o tempo de se transformar é agora.



Cíntia Catherine Bueloni

Pós graduada em fitoterapia

aplicada a nutrição clínica,

Educadora física, Personal treiner

e Acadêmica de nutrição.

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