Cartaz da Cidade realiza Bate Bola com professor João Ricardo sobre aspectos da pandemia na região



Nesta quarta-feira (07), a Redação do Cartaz da Cidade entrou em contato com o Professor e Economista João Ricardo de Lima para tratar sobre os aspectos da pandemia na região do Vale do São Francisco. João é Prof. da Facape de Petrolina, escreve sobre Economia & Negócios para o Jornal do Sertão.


Confira a seguir o bate bola:


1 - A vacinação mesmo acontecendo de forma lenta, motivou o retorno das aglomerações?


Em economia existe o que se chama de Efeito Peltzman, que tem esse nome em razão de ter sido Sam Peltzman que detectou que as pessoas são mais propensas a ter comportamentos mais arriscados quando se sentem mais seguras.


O que aparece é que isto ocorreu após a vacinação. Cerca de 30 dias após o inicio da vacinação, os índices de isolamento social começaram a cair na região. Infelizmente os dados mais atualizados não estão mais disponíveis nem para a Juazeiro/BA nem para Petrolina/PE. Contudo, até onde foi possível acompanhar, ficou claro que houve uma queda do isolamento. Talvez as aglomerações nem tenham se reduzido mas aumentaram a partir do momento que as pessoas foram se vacinando.


2- A restrição do funcionamento do comércio ajudou a coibir a expansão do vírus?


O efeito da restrição do comércio só leva a redução da expansão do vírus se conseguir fazer aumentar o isolamento social. Veja a importância de termos conhecimento do avanço do isolamento social. Até o último dado que tivemos disponível, a restrição do isolamento não foi capaz de aumentar o índice de isolamento social nos níveis necessários para impactar a expansão do vírus. A culpa não é do fechamento que não funciona. A culpa é das pessoas que não fazem a sua parte mesmo sabendo que estão prejudicando tanto a saúde quanto a economia. Os próprios dados atuais mostram que continuamos com grandes quantidades de novos casos, óbitos e taxas de ocupação de leitos de UTI em cerca de 100%. Então, infelizmente, o comércio foi prejudicado pela atitude da população e a saúde continua com graves problemas.


3- Como a pandemia tem afetado no setor de agricultura no vale do São Francisco?


A pandemia não tem afetado a produção de frutas e também não tem afetado, ainda, as exportações. Não se tem clareza ainda, mas a chance é ainda pequena, de algum tipo de fechamento de portos para navios com frutas do Brasil. Pelo contrário, se tem uma boa demanda até o momento. No mercado interno, sempre que se tem fechamento de atividades comerciais a população acaba mudando o seu habito de ir ao supermercado. Assim, por um breve período acaba tendo algum problema de escoamento de produção mas com ajuste rápido. A sorte da região do Vale do São Francisco é ter a fruticultura irrigada gerando emprego e renda o ano inteiro. Se não fosse isso, observaríamos um caos social muito grave.


4- O senhor acha que o atraso na liberação da vacina foi crucial para o aumento dos casos de mortalidade?


O que pode impactar no aumento da taxa de mortalidade é a falta de leitos de UTI e a própria variante do coronavírus, que é mais agressiva. Com certeza que quanto mais rápido ocorrer a vacinação, melhor será para se ter redução de óbitos. Em estudo que será lançado no final deste mês iremos verificar o impacto da vacinação na mortalidade das pessoas mais idosas, que foram as que mais faleceram de COVID em nossa região.


5- Na nossa região que medida, de fato, irá contribuir para a diminuição dos casos de infecção e mortes ocasionadas pelas complicações do Covid?


Em primeiro lugar e definitivamente só mesmo a vacinação da maior parte da população. Enquanto isto não ocorre, o que se pode fazer é redobrar todos os cuidados, usar mascara sempre, mesmo depois de vacinado, limpar as mãos com álcool gel, manter distanciamento social, não se aglomerar de forma alguma, sair de casa apenas se necessário e procurar ter uma boa alimentação e fazer exercícios para fortalecer o corpo e a mente.



Da Redação / Caíque Lima Comente e Compartilhe!