COVID-19 sob a visão de quem venceu a doença



Por Jucélia Almeida


Há seis meses que o país está voltado para a pandemia que causou medos e incertezas em toda população. Dúvidas, algo ainda sem resposta, apenas sendo enfrentada da melhor maneira por todos, desde os profissionais de saúde e governantes até a população.


Diante do cenário, com números de infectados que só aumentam e novos casos de morte a cada dia, nada melhor do que ver o quanto é possível ter esperança em meio ao caos. Esta semana, a proposta é descrever sobre um caso de quem enfrentou e venceu a doença.


Como descobriu que estava com COVID-19?


Eu descobri por acaso, pois os sintomas não estavam tão fortes como sempre ouvia dos relatos das pessoas. Senti dores no corpo, uma dor leve na garganta e febre. Mas, até então, nunca imaginei que estivesse com COVID-19. Como estava em um processo muito corrido de trabalho, achei que fosse cansaço do dia a dia. O que me chamou atenção foi justamente a alteração no paladar, pois percebi que os sabores dos alimentos estavam diferentes. Duraram uns três dias até que eu percebesse que havia algo errado, foi quando procurei uma unidade de saúde.


Como foi quando recebeu o diagnóstico?


Quando deu positivo para COVID-19, passaram diversas coisas em minha cabeça. Imaginei que não sobreviveria, imaginei o resto dos meus dias em uma UTI, e que morreria sozinha sem sequer receber o carinho da minha família; a reação inicial foi de desespero. Passada algumas horas, fui me acalmando e a preocupação não era mais em mim, mas nos amigos, familiares, namorado e pacientes. Veio o senso de responsabilidade em alertar a todos sobre a minha situação. Tracei um mapa das pessoas que mantive contato e comecei a informar que estava doente. Liguei e enviei mensagens para todos, e confesso que tinha tom de desespero:


“Oi, eu acabei de saber que estou com COVID-19. Como nós tivemos contato durante esses dias, peço PELO AMOR DE DEUS que faça o teste. Estou morrendo de medo de ter te contaminado.”

Graças a Deus ninguém havia se contaminado. Acredito ser coisa de Deus.


Como foram os dias com a doença?


Posso dizer que foram os dias mais longos da minha vida. As horas não passavam, e a cada dia o medo aumentava. Longe dos meus filhos, minha mãe e namorado, eu me fragilizava a cada dia. Além das incertezas da doença, a falta do carinho de todos. Para descrever de maneira lúdica, parecia que eu estava em um mundo paralelo; minha vida passou na minha frente, a sensação de impotência e medo do que viria me deixava apreensiva. Embora nos primeiros dias os sintomas fossem leves, ainda assim a eminência de agravar me angustiava. Passaram-se os dias e, diferente do que eu já tinha ouvido a respeito, surgiam umas dormências nos pés. As preocupações só aumentavam, então comecei a buscar informações a respeito, e, à medida que lia as publicações, aumentava minha angústia. Por se tratar de algo novo, as várias especulações geravam inseguranças. Descobri que a COVID-19 pode causar alterações neurológicas, mas não há como precisar se temporárias ou permanentes. A palavra era “desespero”! Por várias vezes mandei mensagem ao meu namorado descrevendo meu medo de ficar sem andar, não relatei para minha família para não preocupar. Mais uma vez veio o cuidado com os outros, para não alarmar meus familiares, meus maiores medos e angústias guardei para mim. Após consulta com um profissional, recebi a mesma informação: “Nessa doença é tudo muito novo, tudo muito incerto! Não podemos afirmar nada, vamos aguardar como irá evoluir essa dormência.” Confesso que não ajudou muito, mas não havia muito o que fazer ou questionar, apenas aguardar.


No auge do meu desespero cheguei a escrever uma carta de despedida:


Peço aos meus amigos e familiares que não chorem por mim, quero ser lembrada como uma pessoa feliz. Não quero alvoroço, apenas quero que orem por mim. A vida foi mais breve do que eu imaginava, mas temos que nos conformar que tudo é passageiro. Amo todos vocês.”

Como foi a recuperação?


Graças a Deus os sintomas foram leves, não apresentei dificuldade em respirar. Claro que em alguns momentos apesentava um cansaço, mas era passageiro. Aos poucos, os sintomas foram desaparecendo. Confesso que o que mais me preocupou foram as dormências, inclusive foi um dos últimos sintomas a desaparecer. No entanto, deu tudo certo e estou aqui fazendo esse relato.


Houve algo de bom nessa história?


Sim, claro! Diante da situação, percebi que a vida é muito breve para perdermos tempo com coisas pequenas. Descobri que existem pessoas ao meu lado que nos amam e que se preocupam conosco. Em meio ao desespero, o carinho e as palavras de conforto foram imprescindíveis para me manter de pé e lutar com todas as forças pela vida. Quando passamos por uma situação como essa, as pequenas coisas fazem toda diferença. E o simples fato de poder respirar, de acordarmos todas as manhãs, já é motivo para agradecer a dádiva da vida.


Agradeço a Deus por ter vencido essa batalha e quero dizer a todos que estão na luta contra a COVID-19 que não percam a esperança. No final, dá tudo certo e saímos mais fortalecidos.

Jucélia Almeida

Fisioterapeuta,

Especialista em Oncologia,

Mestranda em Ciências.

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