Decreto de Paulo Bomfim pode causar falta de alimentos em Juazeiro e parece beneficiar amigos



Decreto não considera lojas de insumos agrícolas como de serviço essencial à população, mas favorece oficinas não registradas de amigos, que também vendem produtos agrícolas. A ação pode prejudicar plantações inteiras e ainda contribuir para o aumento da pandemia na cidade.

Por Sidney Lima

O DECRETO Nº 449, de 20 de junho de 2020, assinado pelo Prefeito de Juazeiro, no norte da Bahia, Marcus Paulo Alcântara Bomfim, é mais uma prova de que Juazeiro está sob o comando de pessoas que não têm nenhum senso de direção. Agora, a bola da vez são os produtores agrícolas, que tiveram cerceados o direito de cuidarem de suas plantações do jeito que tem de ser.


No Decreto, o Art. 1º. estabelece o fechamento do comércio em geral a partir de 22 de junho de 2020, notadamente de produtos e serviços, até o dia 30 de junho de 2020, com algumas as exceções previstas no Parágrafo 1º, quando alguns estabelecimentos poderão funcionar nas segundas, quartas e sextas-feiras. Nesse enquadramento, as lojas de defensivos e insumos agrícolas aparecem no inciso segundo. Mas, como será que o agricultor enxerga essa determinação irracional?


Página do Decreto que estabelece as devidas autorizações de funcionamento



Ora, nós seres humanos, precisamos de comida e remédios para nos mantermos vivos, não é? E as plantas, do que será que elas precisam? Além de água, como todo ser vivo, as plantas também precisam de alimentos e cuidados, para que possam crescer e se desenvolver do jeito que tem que ser. Mas, e se, por conta das atuais chuvas que caem no sertão, algumas plantações iniciarem a apresentação de doenças específicas, como algum tipo de fungo por exemplo, em uma manhã de quinta-feira? O que será do produtor que precisar vir ao centro de Juazeiro, para comprar um determinado fungicida, em pleno funcionamento deste Decreto infame? Bem, poderíamos dar três opções a ele:

1 - Poderia procurar outra cidade para a aquisição de suas necessidades, ou

2 - Poderia jogar fora toda sua produção, perdendo todo o seu investimento, ou ainda, pelo que o Decreto sugere,

3 - Poderia este agricultor procurar uma das lojas parceiras de Paulo Bomfim, como sugerem as próprias redes sociais da Juagro.

Propaganda do horário de funcionamento da empresa



Propaganda da atividade comercial da empresa



Não, não estamos fazendo propaganda de uma empresa daqui de Juazeiro, que tem ligações conhecidas com quem colocou nosso atual Prefeito no comando da cidade. Não estamos dizendo que essa empresa está tentando burlar o Decreto, pelo fato dela nem ser credenciada como oficina de máquinas agrícolas, como sua própria documentação estabelece. Não estamos sugerindo que a Juagro estaria fazendo propaganda enganosa, ao anunciar que estaria aberta, quando não deveria estar. Não é isso. Mas, como podemos crer que os Decretos de Paulo Bomfim são completamente técnicos, se deixam furos tão escandalosos como este, para a interpretação de quem raciocina só um pouquinho?


Comprovação das atividades da empresa, que não incluem serviços mecânicos em máquinas agrícolas ou afins e atestam estar em regime de recuperação judicial


A não ser que a fiscalização da Prefeitura adote providências iguais para todos e “queime nossa língua” (o que seria ótimo para a cidade), o protecionismo estará escancarado.


Mas, voltemos ao que realmente interessa...


Não tem cabimento o fato de o Prefeito de uma cidade tão importante no cenário agrícola nacional, como Juazeiro, imaginar que as lojas de insumos agrícolas não são tão essenciais assim, podendo mantê-las fechadas por quatro dias da semana, sob a alegação de que elas poderiam agravar os casos de Covid-19. Muito pelo contrário. Ações como essas, além de causarem a falta de alimento nas prateleiras dos supermercados, proporcionando um agravo na crise da fome, ainda poderão causar aglomerações gigantescas nessas lojas, que teriam que vender a mesma quantidade de produtos (as plantas e plantações não diminuirão suas necessidades por conta da pandemia) em menos da metade de uma semana de trabalho.


Depois não querem que critiquemos ações atabalhoadas e desprovidas de mínimos conhecimentos técnicos, para a administração de uma cidade. E mais, depois não querem que façamos comparações com cidades vizinhas que lutam para manter a população abastecida e produtiva. Ninguém quer que o comércio de Petrolina seja prejudicado com a pandemia, mas Paulo Bomfim, com mais essa atitude, está é beneficiando nossa coirmã, que administra a pandemia com atitudes de verdade.


Onde estão os funcionários contratados de Juazeiro, que não foram destinados à honrosa tarefa de conscientizar a população que trabalha no Mercado do Produtor, por exemplo, para o uso de máscaras? Onde estão as ações da Prefeitura que proporcionariam a distribuição desse equipamento de proteção individual tão falado e necessário nesta época? Onde está a verdadeira preocupação com a produção e distribuição de nossos alimentos para que nossa sociedade não venha a perecer pelas mazelas das prateleiras vazias e da fome. Aliás, além do fechamento do comércio, fechamento das escolas e da fraca tentativa de proibição da circulação das pessoas nos horários do ilegal “toque de recolher”, onde estão as verdadeiras ações de proteção às pessoas? Ainda não consegui enxerga-las.


Por diversas vezes, conhecemos pessoas sábias que reconheceram seus erros e voltaram atrás em suas equivocadas decisões. Não estamos propondo isso ao Prefeito de Juazeiro, até por não acreditarmos nesse predicado honroso, ou porque não achamos que ele está liderando a cidade por vontade própria, mas que nossa cidade precisa de um milagre para que não venha a ser assassinada em todos os sentidos, isso nós precisamos. Que Deus ilumine as mentes dos ilustres “administradores públicos” de Juazeiro!



Sidney Lima

Pós-Graduado em Administração

de Segurança Pública e em

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