Dores no joelho? Pode ser Condromalácia Patelar. Sabe o que é isso?



O joelho é considerado uma das articulações mais lesionadas na prática esportiva. Por ser incapaz de dissipar as forças excessivas, torna-se suscetível a lesão e ao desenvolvimento de enfermidades resultante da absorção dessas forças (SANTOS et al, 2008). Tendo em vista que a condromalácia patelar tem acometido diversos jovens, atletas de elite e obesos, desenvolvesse mais comumente após um desalinhamento patelar consequente aumento da sobrecarga articular, aumento do estresse por contato, gerando um processo degenerativo da cartilagem articular da patela e dos côndilos femorais, caracterizada por fissuras, fibrilação e ocasionalmente erosões que expõem o osso subcondral. Micro traumas repetidos podem causar desgastes excessivo da cartilagem e perturbar a nutrição, sendo esta patologia a precursora da artrose nos joelhos (go artrose) em atletas.


A instalação da condromalácia ocorre em 4 etapas: 1. Enfraquecimento, edema e fibrilação localizada da cartilagem; 2. Fragmentação e fissura em uma área de 1,3cm ou menos de diâmetro; 3. Fragmentação e fissura em uma área de mais de 1,3cm de diâmetro; 4. Erosão da 5 cartilagem abaixo do osso sub condral. Em casos avançados a área oposta da cartilagem femoral também afetada (CHIAPPA, 2001 p142). No estágio inicial ocorre a condromalácia fechada, sendo que o primeiro sintoma é visto na zona de contato. Neste estágio há somente edema da cartilagem articular, sendo que microscopicamente a superfície está intacta, esse edema representa o primeiro sinal de degeneração articular da patela, e pode ser um simples edema até um edema com cacifo. Este amolecimento da cartilagem pode ser explicado pela perda de integridade da rede de colágeno. Após esse processo, ocorre a formação da condromalácia aberta que caracteriza por um aumento da atividade dos condrócitos, causado pelo aumento do metabolismo, da síntese de proteoglicanos, acúmulo de filamentos, multiplicação das células e formação de chaves.Ocorre ainda um descréscimo no número de condrócitos e ruptura na rede de fibras da matriz,inicia-se aqui o período de necrose que é caracterizado pela destruição das fibras da cartilagem, ocorrendo a fragmentação da matriz e eventualmente exposição do osso subcondral (TEIXEIRA, MEJIA, 2012).



Os sintomas nesta patologia é devido a dor retropatelar, produzida pelos movimentos de compressão da patela sobre o fêmur, dor relacionada com a contração do quadríceps; rigidez ou bloqueio articular; crepitação subpatelar nos movimentos ativos; e sensação de instabilidade (POMPEO; MELLO & VAZ,2012), sofrer com algum grau de condromalácia patelar pode experimentar muita ou nenhuma dor, independente do grau indicado no diagnóstico. Além disso, por causar uma inflamação, pessoas com condromalácia patelar podem ter crises agudas de dor que, nestes casos, necessitam de medicação. Não há consenso sobre as possíveis causas da condromalácia patelar, mas os médicos acreditam que certas atitudes, como estresse repetitivo das articulações do joelho (quando se pratica esportes de corrida ou saltos, por exemplo), podem favorecer o seu aparecimento. Também pode estar relacionado a uma condição muscular fraca na região do joelho e quadril, ou a um trauma no local, como uma fratura ou deslocação, além de outros fatores incluem falta de alongamento, exercícios feitos de forma inadequada, sobrepeso ou obesidade, hiperpressão patelar, artrose e uso constante de saltos. A sua prevalência abrange um vasto número de indivíduos com idades compreendidas entre os 10 e os 35 anos e ocorre 2 a 3 vezes mais nas mulheres do que nos homens (Lichota, 2003citado por Ng, Zhang & Li, 2008). Ao observarmos esses dados podemos perceber a condromalácia patelar são, três vezes maiores nas mulheres do que aos homens, alguns estudos apontam alguns fatores que podem influenciar nessa prevalência feminina:


Anatomia – o quadril normalmente mais largo leva a um aumento do ângulo Q, tornando mais comum o genovalgo nas mulheres. Isso faz com que a patela tenha uma tendência a sair lateralmente e aumenta a incidência de desgaste na patela, o que promove maior desgaste das cartilagens e causa problemas como a condromalácia.


Hormônios – Concentrações elevadas de hormônio feminino podem ter repercussões negativas na saúde dos tendões, conforme comprovam estudos de pesquisadores dinamarqueses (Hansen et al., 2008; 2009). Segundo eles, as altas concentrações de estrogênio inibem a síntese de colágeno no tendão patelar.



Saltos altos - A moda também não ajuda muito… há mais de 30 anos se alerta para os problemas que a utilização de saltos acarreta na biomecânica da marcha. E recentemente se comprovou que a utilização de saltos promove encurtamento na panturrilha e aumento dos momentos de força anteriores nos joelhos (Cronin et al., 2012). Fatores que, associados, predispõe a maior sobrecarga patelofemoral.


Frequência de treino - as vezes a mulherada que almeja pernas grandes e torneadas no intuito de alcançar seus objetivos de forma rápida, apesar de obter o planejamento de treino na academia acaba pulando alguns exercícios relacionados a membros superiores dando ênfase em membros inferiores e sobrecarregando a musculatura e articulações em maquinas como: extensora, leg press abusando nas cargas e repetições, deixando de seguir a sequência de exercícios nos treinamentos.


O tratamento ocorre de acordo com o grau e os sintomas manifestados por cada indivíduo porém geralmente quando na fase inflamatória com dores agudas, o tratamento se dá com medicamentos anti-inflamatórios, meios físicos e cinesioterapia e a evolução costuma ser favorável, após o processo medicamentoso, em alguns casos damos a sequência em tratamento de reabilitação com um fisioterapeuta que de acordo com o caso adotará além dos exercícios de reabilitação, técnicas especificas como a RPG (Reeducação Postural Global) trabalhando posturas corretoras que se relacionam com a articulação e as estruturas musculoesqueléticas envolvidas direta e indiretamente (GREVE e AMATUZZI,1999), ou técnica do uso de bandagem, destina-se a dar suporte a ossos, ligamentos, tendões, músculos, nervos e articulações do corpo e, atua também de forma preventiva de lesões, estimulando grupos musculares e inibe outros grupos a fim de favorecer um reequilíbrio neuro muscular de seguimentos desequilibrados, como a Síndrome do Joelho Corredor outro nome dado a condromalácia patelar. Dando continuidade ao tratamento uma das fases essenciais é a parte do fortalecimento muscular com fortalecimento do músculo quadríceps, principalmente do vasto medial oblíquo, trabalhar músculos estabilizadores do quadril, visando à distribuição das forças realizadas, e pra isso é indicado um profissional de educação física para efetuar um plano de treinamento de fortalecimento muscular especifico, sendo interessante o mesmo ter uma integração com o fisioterapeuta onde juntos podem realizar um trabalho integrativo, na recuperação e manutenção da saúde da articulação comprometida no caso o joelho.


Dentro desse contexto a literatura aponta estudos que exercícios de resistência muscular são os mais indicados para condromalacia patelar tendo maiores resultados e benefícios em questão de redução de dores, maior estabilidade articular, como também alongamentos e liberações miofasciais, quando modulado para indivíduos com síndrome de dor patelofemoral, promove melhora na função, redução da dor e estresse articular, é importante ressaltar que exercícios que geram grandes impactos como: corridas, step, jump só podem ser realizadas com a orientação do educador físico ,pois atividades de alto impacto geram uma sobrecarga nas articulações do joelho, além de aumentar vulnerabilidade em processos inflamatórios nesse sentido é importante que se o educador físico possa avaliar se o indivíduo está condicionado para realizar treinamentos de alto impacto, até porque temos vários exemplos de atletas profissionais ou amadores que realizam modalidades de grandes impactos mesmo com a condromalácia patelar, porem com uma preparação física e o nível de condicionamento habilitado pra tal exercício.



Contudo podemos analisar que ao sentir dores no joelho fazer exercícios físicos ou durante os movimentos da rotina como simples caminhar ou subir escada devemos procurar o médico especializado um ortopedista pra investigar e diagnosticar a causa das dores, como também é importante que você informe ao profissional de educação física qualquer sinal de dor ou algum incomodo durante a execução do exercício físico, lembrando que a melhor estratégia é a preventiva.

Cíntia Catherine Bueloni

Pós graduada em fitoterapia

aplicada a nutrição clínica,

Educadora física, Personal treiner

e Acadêmica de nutrição.


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