E então, cadê a emergência cultural, Juazeiro?



Por: Iuric Pires


Indiscutivelmente, Juazeiro da Bahia é um celeiro cultural. É uma mistura entre sol e rio, cachaça e vinho, vaqueiro e navegação. Com a diversidade musical de quem gerou a Bossa Nova e tem influência do frevo de Pernambuco, a cidade ainda possui artistas visuais que exportam criatividade e talento.


Nossa Juazeiro é referência no teatro e no cinema, com Marcos Velasch, Fabricio Fatel, Devilles, Lidiane Braga, Elder Ferrari, Ana Cecília, Hertz Felix, Ronaly Barbosa, Durjandir Borges, Welligton Monteclaro, Claudio Damasceno, dentre outros.



Nossa Juazeiro é da música de João Gilberto, de Luiz Galvão, de Edésio Santos e de Ivete Sangalo, mas também de Targino Gondim, Allan Cleber, Junior Mota, Joãozinho Maravilha, dentre tantos outros. Dos grandes carnavais e de tantas composições feitas à beira do cais.


Nossa Juazeiro é das artes plásticas de suas carrancas e de artistas como Marlus Daniel, Allan Alves, Alex Moreira, Ledo Ivo, Assis Coelho (Coelhão), dentre outros.


Nossa Juazeiro é do movimento da Dança de Geraldo Pontes, Dijma Darc, Italo Zazu, Janaína Oliuza, dentre outros.


Nossa Juazeiro é do Samba de Véio do Rodeador, da procissão de penitentes, do Nego D’água, de Nossa Senhora das Grotas, de grandes festivais e via sacras.



Não é para qualquer uma, ser reconhecida como terra da agricultura irrigada, passar a ser polo jurídico, se consolidar como polo universitário, além de buscar se fortalecer como destino turístico e ainda ter o prestígio de ser uma cidade cultural. Sim, cultural. Por que, aqui, ainda se produz arte e cultura.


Volto a afirmar: indiscutivelmente, Juazeiro é um celeiro cultural. Mas precisa de ajuda. Como tantos outros segmentos que foram afetados com a pandemia do Coronavírus, a economia criativa foi a primeira a parar e será a última a voltar. Afinal, não há como ter arte sem o calor humano.

Em louvável ação da Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes foi lançado o Edital de Concurso "Arte contra a Pandemia", que tinha como objetivo premiar ações artístico culturais, desenvolvidas em formato digital, voltadas para artes visuais, artesanato, dança, literatura, teatro, circo e música.


O total de recursos destinados para o edital é de R$ 80.700,00 (oitenta mil e setecentos reais), oriundos do orçamento da referida Secretaria.


Artistas previam, de acordo com o edital, que os pagamentos seriam realizados após a homologação dos resultados. Mas então, cadê o auxílio emergencial dos artistas juazeirenses?


O edital "Arte contra Pandemia" foi publicado no dia 08 de junho, tinha previsão de homologação do resultado final previsto para 14 de julho, mas só foi realizado em 22 de julho.


Se para o edital, de cerca de 80 mil reais, a burocracia, seleção e pagamento, têm tamanha morosidade, imagina para o porte dos recursos destinados à Juazeiro na Lei de emergência cultural Aldir Blanc, que já prevemos cerca de 1 milhão de meio de reais.


A prioridade cultural a nível federal é zero. Parece que a nível municipal já podemos mensurar. Entendemos os processos burocráticos para liberação dos recursos, que são individuais. Mas, artista tem pressa, tem fome e tem contas a pagar.


A classe artística contemplada no edital aguarda o pagamento do que era emergencial. Certo que artista se alimenta de sua arte, acorda e dorme com sua arte, respira sua arte. Mas, todas essas metáforas são exemplificações da dedicação e amor que eles têm pelo que fazem. O que era ajuda, já virou transtorno. Resta torcer e cobrar!




Iuric Pires Martins

Bacharel em Relações Internacionais,

Especialista em Gestão de Pessoas

com Ênfase em Gestão por Competência

na Gestão Pública e Mestre em Dinâmicas

de Desenvolvimento do Semiárido.

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