Imoralidade tem nome: Paulo Bomfim


“Decreto que revoga Decreto” prova a falta de critérios para que se possa acreditar na competência desse Prefeito para administrar o município de Juazeiro.

Por Sidney Lima

Não se pode elogiar nem, ao menos, uma vez. Ainda ontem, quando publicamos nosso texto Prefeitura de Juazeiro acerta ao tentar impedir a queima de fogos e de fogueiras, para esta coluna Comentários, do Cartaz da Cidade, estávamos a elogiar uma ação administrativa controversa e ilegal, porém moral, de Paulo Bomfim, que sempre fora criticado por nós em sua administração e muito mais agora com as várias decisões sem critérios comprovados, mas que, notoriamente, visava a proteção dos infectados pelo Covid-19, bem como todas as demais pessoas que possuem outros problemas respiratórios e que poderiam ter seus quadros agravados por decorrência da atual pandemia. Mas, agora percebemos que elogiamos cedo demais...


Paulo Bomfim, que já é considerado por muitos como sendo marionete do ex-Prefeito Isaac Carvalho e que nunca demonstrou competência para gerir a cidade de Juazeiro, na Bahia, bateu de frente com a economia do município, mesmo com diversos pedidos de flexibilização das associações de classe ligadas ao comércio, compulsoriamente fechado contra a vontade da maior parte da população, principalmente da que ficou sem emprego ou da que teve de fechar suas portas, por não aguentar o longo período sem atividades.


Até com um pouco de arrogância, este Prefeito enfrentou diversas solicitações, inclusive da CDL, para que o comércio da cidade fosse, gradual e responsavelmente, aberto, e para que a já considerada crise econômica não caísse de vez sobre as cabeças dos juazeirenses e de muitos outros cidadãos moradores de cidades vizinhas, mas que dependem do funcionamento de nossas lojas. Nada foi capaz de aquecer o coração desse “gestor” (notem as aspas colocadas na palavra gestor), para que as famílias não sofressem tanto como sofreram (e ainda sofrem), sem, sequer, comprovações científicas para embasar suas decisões unilaterais.


Pelo que pudemos notar, apenas as ações da Polícia Federal, que mexeram com diversos governantes em todo o país, por conta das investigações de exploração da pandemia para o aumento da corrupção, é que, por coincidência, foram capaz de mudar a linha de pensamento de Paulo Bomfim. Por outro lado, este Prefeito voltou a meter os pés pelas mãos, chegando ao ponto de uma nova insensatez, dessa vez (ou seria mais uma vez) indo no sentido contrário do que deveria ser o ideal: a preocupação com a saúde respiratória das pessoas de forma técnica e científica.


Sob a desculpa de que está atendendo a um pedido do Presidente da Federação das Associações de Moradores, Chico Bito, o Prefeito resolveu revogar a determinação de que fogueiras e fogos de artifício não deveriam ser queimados neste período junino. Muitos podem até não saber, mas, em Juazeiro, hoje, existe um racha entre várias Associações de Moradores, passando a existir uma União de Associações e uma Federação de Associações, presididas por pessoas diferentes. Mas, embora esse não seja o cerne da questão, é muito estranho o Prefeito aceitar o pedido de um grupo de moradores (que trazem votos) sem observar três coisas: 1- Se essa Federação está com a mesma linha de pensamento que a União, para o pedido de liberação de produção de fumaça e prejuízo aos doentes respiratórios ser assinado por ambas as representações; 2- Se essas entidades representam realmente a maioria da população de Juazeiro, bem como se essas representam o verdadeiro desejo da maioria ou se representam, apenas, o desejo político de seus líderes; e 3- Se as entidades do comércio têm menos importância para a Prefeitura, já que seus pedidos demoraram meses para serem atendidos, enquanto o dessa Federação demorou, apenas, poucas horas (ou minutos), para que a preocupação com a saúde passasse a ser menor do que a preocupação com as “tradições culturais dos munícipes”.


Nossa primeira preocupação é com os riscos à saúde das pessoas por conta de queimaduras e de doenças respiratórias provenientes da fumaça. Mas também entendemos que se trata de uma tradição desse período junino mesmo com o cancelamento da festa de São João. Por isso, atendendo a um apelo das Associações de Moradores resolvemos flexibilizar e agora recomendamos que a população tome cuidado e se proteja evitando soltar fogos e acender fogueiras”, diz Paulo Bomfim, em nota enviada à imprensa. Mas, como se pode acreditar que sua primeira preocupação é com os riscos à saúde das pessoas, se prefere a produção de fumaça, que, cientificamente comprovado, prejudica os portadores de doenças respiratórias, como a própria Covid-19, sobre a pífia alegação de que se trata de uma tradição desse período. E a tradição da economia, cuja falta prejudica a vida das pessoas que estão passando fome e não foram consideradas, quando do fechamento compulsório do comércio? Quantas pessoas chegaram a apanhar, quando apenas queriam ser brasileiros (que não desistem nunca) e queriam sustentar suas famílias? “Me poupe, viu!”


Agora, na tentativa de minimizar a tragédia dessa fatídica decisão, no mesmo “Decreto que derruba o Decreto”, Paulo Bomfim resolveu “ser bonzinho” e liberar a abertura do comércio aos sábados. Como se o Covid-19 só saísse de casa para contagiar as pessoas nos finais de semana. E, já que é assim, vamos aproveitar o horário de atendimento deste vírus, imaginando que ele deve gostar mesmo de festas e de finais de semana, para entendermos a manutenção da malfadada ordem do “toque de recolher”, que deve servir para que o Coronavírus possa se divertir tranquilamente nesse horário. Só falta o Prefeito instalar som ambiente nos postes, para animar as “Festas do Corona”.


Depois, meus amigos ficam dizendo que só sabemos criticar essa administração. Como não fazer, se todas as ações são, simples e claramente, eleitoreiras.


Talvez, se a Polícia Federal instaurasse uma apuração sobre a responsabilidade da produção de fumaça em tempos de pandemia, a situação pudesse ser repensada junto aos que se preocupam mais com as tradições do que com a saúde ou a economia.


Se, nos comentários de ontem, alertávamos para estarmos atentos aos próximos capítulos daquela decisão de proteção à saúde, com declarações técnicas da Secretária de Saúde Fabíola, hoje, infelizmente, assistimos a um episódio de retrocesso, nessa novela que esperamos acabar no último dia deste ano conturbado.


Agora, não vamos mais sugerir que esperemos as cenas dos próximos capítulos, pois só poderíamos esperar outras decisões trágicas para a cidade. Agora, estamos, apenas, na fase do “seja o que Deus quiser”.



Sidney Lima

Pós-Graduado em Administração

de Segurança Pública e em

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