MAIO VERDE: O Cartaz entrevista o médico oftalmologista Epitácio Neto para falar sobre Glaucoma

Atualizado: Jun 5


O médico oftalmologista Epitácio Neto integra a equipe do Instituto dos Olhos do Vale do São Francisco


Para lembrar o Maio Verde: mês de prevenção e combate ao glaucoma, comemorado no dia 26 de maio - Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, o Cartaz da Cidade entrevistou o médico oftalmologista Epitácio Neto que integra a equipe do Instituto dos Olhos do Vale do São Francisco. O Glaucoma é uma doença considerada a maior causa de cegueira irreversível no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), e pode afetar de 2% a 3% da população, ou seja, temos 1,5 milhão de pessoas portadoras da doença no Brasil.


Durante a conversa, o médico explicou como a doença atinge o nervo óptico, responsável pela transmissão da informação visual para o cérebro, a importância do diagnóstico precoce e os fatores de risco.


O que é Glaucoma?

Eu gosto de fazer uma analogia do nosso olho com uma máquina fotográfica. Imagina que nosso olho é uma máquina fotográfica, na qual temos dois sistemas de lentes, um que fica na frente do olho, que é a córnea, e outro que fica no meio do olho, que é o cristalino. A luz passa por essas duas lentes e cai em cima da retina, que é a estrutura mais interna do olho e responsável por transmitir essa informação até o nosso cérebro através do nervo óptico. Então, o glaucoma é uma doença que vai destruindo progressivamente a cabeça desse nervo óptico, de forma silenciosa. No início da doença, a maioria dos pacientes não sente nada, podendo evoluir com redução da visão e cegueira nos estágios avançados.

Como o Glaucoma é diagnosticado?

O glaucoma é diagnosticado em exame oftalmológico de rotina, no qual se realiza a medida da pressão intraocular e o exame de fundo do olho, para uma melhor avaliação do nervo óptico. Em muitos casos é necessário a realização de alguns exames complementares para diagnóstico e seguimento da doença como: exame de campo visual, tomografia de coerência óptica (OCT) da cabeça do nervo óptico, gonioscopia, paquimetria, retinografia e teste de sobrecarga hídrica.


Quais os principais fatores de risco?

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença são: idade avançada (geralmente acima de 40 anos), história familiar em parente de primeiro grau( aumenta em até 10 vezes a chance do paciente desenvolver glaucoma), pessoas de origem africana, alta miopia, trauma ocular, usuários crônicos de corticóide, dentre outros. Alguns estudos sugerem que o diabetes pode aumentar o risco de desenvolver glaucoma, assim como a hipertensão arterial sistêmica e algumas doenças cardiovasculares.


Quais os tipos de glaucoma?

Existem diversos tipos, sendo os mais comuns os glaucomas primários de ângulo aberto e primários de ângulo fechado. O mais prevalente deles é o glaucoma primário de ângulo aberto, que constitui quase 2/3 dos casos, porém, os pacientes portadores de glaucoma primário de ângulo fechado têm maior risco de evoluírem para a cegueira.


O glaucoma tem cura? Como é o tratamento?

O glaucoma não pode ser curado, mas pode ser controlado se diagnosticado e tratado em seu estágio inicial. O tratamento pode ser realizado com o uso de colírios, realização de laser, cirurgias ou uma combinação desses métodos, que tem como principal objetivo reduzir a pressão dentro do olho e evitar a progressão da doença. Embora estes tratamentos possam prevenir a perda irreversível da visão, eles não revertem os danos já causados pelo glaucoma. Por isso, o diagnóstico e tratamento precoce é extremamente importante.


Quais precauções para evitar a doença?

O principal meio de prevenir que o glaucoma comprometa a visão é realizando exame oftalmológico periódico, de forma anual, para que se possa fazer um diagnóstico precoce e tratamento adequado, reduzindo as chances do paciente evoluir com cegueira por causa dessa doença.


Iana Lima - Jornalista

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