Negão, se eu fosse racista, estaria preso há 30 anos.

Atualizado: Jun 4


Negão, japa, sarará, china, branquelo, gordo, galego, russo, careca... Se tudo isso fosse considerado crime em minha juventude, eu e toda uma geração de brasileiros só estaríamos saindo agora da prisão.

Por Sidney Lima

Tudo (re)começou, quando conseguiram filmar e divulgar um vídeo que mostra um policial norte-americano (sem querer estereotipar o policial), cuja cor da pele é branca, cometendo a atrocidade profissional de não se utilizar das técnicas de imobilização corretas e de ter permanecido por mais de oito minutos com o joelho sobre o pescoço de um cidadão de pele negra, causando sua asfixia e morte. Mas, e se?...


E se o policial fosse negro e a vítima fosse branca? E se o policial fosse branco e a vítima fosse branca? E se o policial fosse negro e a vítima fosse negra? Será que teríamos a mesma vontade de protestar, motivando as revoltas que estão acontecendo nos Estados Unidos e, quem sabe, em outros pontos do planeta? Será que a simples tipificação de HOMICÍDIO (doloso ou culposo, que seja) seria motivo para tanta selvageria, destruição e saques? Isso é protestar?


Fico me perguntando se a humanidade prefere se prender em fatos que sempre nos trazem às mesmas questões políticas, que já poderiam ser plenamente superadas por nossos sistemas de leis, caso fossem respeitadas, do que exigir das autoridades o simples cumprimento do que está escrito, para que as atenções sejam colocadas sobre os verdadeiros profanadores da sociedade: os marginais? Parece que a sociedade só vê a palavra marginal sobre os ombros de quem mata por assaltos ou roubos; ou sobre os de quem trafica nos morros, corrompendo as crianças; ou mesmo sobre os de moradores de rua, que, mesmo não fazendo nada, são, muitas vezes, confundidos (caracterizados) com marginais.


Marginal é todo mundo que anda à margem da lei. Inclusive o idiota que, encoberto por essa onda de protestos, matou um policial aposentado, de 77 anos, NEGRO, no meio da rua, em St. Louis - Cidade no Missouri, sem motivo aparente algum.


Vou fazer outras perguntas. Qual a causa dessa revolução atual mesmo? Qual o nome daquele policial que mencionamos no início deste texto? O que está acontecendo com ele, nesse exato momento? As leis estão sendo cumpridas a rigor, como devem ser? Ele cometeu crime de RACISMO ou de HOMICÍDIO? Se fosse racismo, acho que George Floyd (a vítima) estaria vivo e Derek Chauvin (o policial norte-americano) não teria sido usado para tanto barulho fora do que deveria ser verdadeiro foco da questão: ter matado um ser humano, não interessando a cor de sua pele.


Nossa sociedade está vivendo tempos de conflitos desnecessários. Mas, vamos trazer nosso comentário para os limites de nosso país, pois, como diriam meus filhos: “cada qual com seus problemas”.


No Brasil, há cerca de 30 anos, utilizávamos apelidos como “negão”, para nos referirmos aos AMIGOS de cor negra. Amigos de verdade mesmo, de coração. Bem como “russo”, para os brancos de cabelo avermelhado, “china”, para os com desenhos faciais asiáticos, e assim por diante. Eu mesmo, que sempre fui “pardo” (até hoje não sei que diabos de raça ou cor da pele é essa), mas que, também, sempre fui gordinho, era carinhosamente chamado de “gordo”, “rolha de poço” ou algo que me lembrasse que eu já deveria fazer uma dieta desde aqueles tempos (pena que não dei ouvidos a eles). E sabem o que aconteceu com todos os meus amigos daquela época, que estudávamos em escolas públicas e tínhamos que ir a pé, para podermos “ser alguém”, como se dizia na época? Todos crescemos e viramos cidadãos de bem, cada um com seu trabalho ou empresa, com suas famílias estabelecidas, com o maior respeito uns pelos outros. Essa era a marca de minha geração de pretos, brancos, mulatos, asiáticos, russos etc.



Mas, então, por que as coisas degringolaram para as revoltas antirracistas que estamos vendo hoje? Obvio que a coisa é política. E claro que só estamos vendo o preconceito, agora, contra os negros, ou afrodescendentes, como têm sido chamados, pois latinos, asiáticos, judeus, dentre outros, parecem não sofrer desse mal. E o mais interessante é que podemos ver, nitidamente, negros de mãos dadas a muitos brancos (quase transparentes, de tão brancos), nessas marchas que dão a volta ao mundo. Como isso aconteceria se fôssemos realmente racistas?


Mas, será que alguém desses grupos que vemos nas ruas, que gostam de fazer protestos antirraciais, anti-homofóbicos, anti-feminicidas, dentre outros “antis” que pudermos colocar nas palavras que verdadeiramente segregam e que criam verdadeiras castas de seres que parecem não viver na mesma sociedade, não poderia estar protestando para que as autoridades simplesmente fizessem ser cumpridas as leis de nosso(s) país(es)?


Será que, nesse caso específico, o foco não deveria ser o de cobrarmos a penalização para um profissional de segurança que, flagrantemente, mata outro cidadão? Temos que acordar, pois, na Bahia, por exemplo, a maior parte dos policiais é negra, enquanto que a maior parte dos “playboyzinhos maconheiros” (sem querer rotular os filhinhos de papai que causam problemas às PM do Brasil afora) é formada por brancos. E, quando acontece de um PM negro agredir (verbalmente que seja) um desses “branquinhos”, não se vê nenhum tipo de movimento antirracista, mas sim um movimento para que se demonstre que o tal PM é despreparado pela corporação (aí, já envolvem, até, toda a instituição policial), é truculento e, muitas vezes, que vem de uma sociedade negra reprimida e que não sabe respeitar o direito dos cidadãos. Sei lá quanta coisa já ouvi nesse meio século de vida. Nem quero lembrar.


Ora, me poupem os que discursam, agora, que vivemos em uma sociedade racista e que quebram e saqueiam lojas e comércios em nome de igualdade, quando nada fazem para que sejam cumpridas as leis de seu(s) país(es). Nem, ao menos, se preocupam em escolher representantes que os dignifiquem, para que as leis sejam cumpridas. Se as leis fossem realmente cumpridas, não teríamos tantos racistas, ou homofóbicos, ou feminicidas, ou tantos outros criminosos que vemos soltos por aí. Até mesmo os corruptos que estão nos lendo agora não estariam com um computador ou celular nas mãos, pois estariam em seus devidos lugares: nas cadeias.


E mais, se as leis que regem nossa saúde fossem cumpridas, desde às leis para licitações até às de contratação de pessoal, não teríamos uma saúde segregada. Se tivéssemos as leis de educação cumpridas, não teríamos sistemas de cotas nas faculdades. Se tivéssemos as leis trabalhistas respeitadas, não teríamos mulheres ganhando menos que homens no desempenho das mesmas funções. E assim vai.


Tomemos vergonha e analisemos o que realmente queremos. Eu quero um país grande e um planeta unido, que trabalhe pelo benefício da humanidade. Para tanto, o crime de racismo existe e a lei deve ser respeitada. Essa e todas as demais. Punição para quem não cumpre isso, sem precisarmos quebrar ou saquear nada. Afinal, o que os comerciantes, que nem em suas lojas estavam na hora das manifestações, tinham a ver com toda aquela baderna?


Mas, como nem os homicídios são punidos e, às vezes, nem são levados tão a sério como se deveria, que diabos eu quero cobrando dos maus administradores das sociedades uma postura antirracista? Quero que policiais brancos que matam negros tenham a mesma visibilidade de policiais negros que matam brancos. E, se não forem policiais os envolvidos, também quero punição da mesma forma, pois somos todos seres humanos, regidos pelas mesmas leis de cada país em que resolvemos morar. E, quando morrermos, iremos todos para o mesmo lugar do “pé junto”, prestar contas a Quem realmente irá nos abraçar ou nos punir por toda a eternidade.


Assim, por favor, mesmo sabendo que opinião é uma coisa que cada um tem do seu jeito, só me resta dizer que, como diria o gaúcho, “me faça uma garapa”!




Sidney Lima

Pós-Graduado em Administração

de Segurança Pública e em

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