O uso de chás medicinais: você sabia que pode estar fazendo seu chá errado?




Por Cintía Catherine


Chá de camomila para acalmar, chá de erva-cidreira para a dor de estômago… Quem nunca recolheu uma plantinha do jardim e ferveu para tentar aliviar sua dor? Mães e avós estão entre as maiores especialistas da área, usando, preferencialmente, bastante açúcar na receita. Será que adianta? A verdade é que cada planta tem um período correto para ser coletada e uma forma específica de ser preparada - as Plantas Medicinais de uso Tradicional e a Fitoterapia cuidam dessa área - e mantém uma luta para fazer essas informações chegarem, não apenas a mães e a avós, mas, também, aos profissionais da Saúde, sendo que estão cada vez mais em evidência com a eficácia na prevenção e no tratamento de doenças dentro das práticas interativas de saúde.


Na história da humanidade, o uso dos chás medicinais está intrinsecamente ligado ao seu ambiente natural, especialmente às plantas utilizadas para alimentação, confecção de moradia e utensílios, vestuários e remédios. Desde os tempos mais remotos, os seres humanos se utilizam de plantas com propriedades medicinais como recurso terapêutico para a sobrevivência. Os registros de utilização de plantas como remédio datam da era paleolítica, pela identificação do pólen de plantas medicinais em sítios arqueológicos. Relatos escritos mais sistematizados foram encontrados na Índia, na China e no Egito, por pesquisadores ocidentais e datam de milhares de anos antes da civilização cristã. Cada uma dessas culturas produziu seu próprio corpo de conhecimento médico e repertório terapêutico, tendo elaborado sistemas médicos compostos por conceitos de saúde e doença, influências do mundo natural e espiritual sobre a saúde, abordagem a respeito da fisiologia e anatomia humanas, entre outros.


O conhecimento tradicional está sempre em transformação, incorporando técnicas e saberes de culturas diferentes ou fazendo releituras em seu próprio arcabouço cultural. Mesmo com a medicina científica tendo se tornado hegemônica nos países ocidentais, o uso de plantas se manteve intenso, tanto nos locais onde a medicina científica era inacessível quanto no seio de diversas práticas culturais e religiosas.


A fitoterapia é uma “terapêutica caracterizada pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal”. O uso de plantas medicinais na arte de curar é uma forma de tratamento de origens muito antigas, relacionada aos primórdios da medicina e fundamentada no acúmulo de informações por sucessivas gerações.


Atualmente a Fitoterapia é exercida dentro de diferentes paradigmas e observasse grande tendência à hibridização de conhecimentos proporcionada pela facilidade de troca de informações entre as várias culturas. A associação de conceitos comuns aos sistemas médicos tradicionais consagrados, a incorporação de novos conhecimentos terapêuticos e de métodos diagnósticos advindos das pesquisas científicas têm sido a tendência seguida, essa abordagem possibilita uma ampliação da visão sobre o ser humano, trazendo novas formas de pensar o ajuste orgânico, para a fitoterapia, as informações acumuladas nesses sistemas, tanto sobre o funcionamento do organismo quanto sobre a atuação das drogas vegetais, têm valor inestimável, pois descrevem ações de forma global, já os modelos usados para avaliar atividade farmacológica em alvos biológicos são experimentos lineares e analíticos que nem sempre conseguem traduzir o mecanismo de ação do fito complexo, visto que as relações entre ações e resultados são múltiplas e sofrem influências de muitas variáveis.


Assim, a complexidade de ação das plantas traduzida nas diversas linguagens médicas tradicionais nos orienta na prescrição e também amplia a visão sobre as possibilidades terapêuticas, podemos citar o exemplo da Angelica sinensis (ginseng feminino) que, na medicina tradicional chinesa, é classificada como tônica do sangue e do Yin, e, nas pesquisas clínicas e farmacológicas, demonstra efeitos antianêmico, sedativo e umectante das fezes, entre outros.


No Brasil, após de um longo processo desde de 2006, deu-se início, de forma definitiva, à Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS (PNPIC), contemplando sistemas médicos complexos e recursos terapêuticos, os quais são também denominados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de medicina tradicional e complementar/alternativa (MT/MCA) (WHO, 2002). Tais sistemas e recursos envolvem abordagens que buscam estimular os mecanismos naturais de prevenção de agravos e recuperação da saúde por meio de tecnologias eficazes e seguras, com ênfase na escuta acolhedora, no desenvolvimento do vínculo terapêutico e na integração do ser humano com o meio ambiente e a sociedade.


Outros pontos compartilhados pelas diversas abordagens abrangidas nesse campo são a visão ampliada do processo saúde-doença e a promoção global do cuidado humano, especialmente do autocuidado. O Ministério da Saúde, atendendo à necessidade de se conhecer experiências que já vêm sendo desenvolvidas na rede pública de muitos municípios e estados, adotou como estratégia a realização de um diagnóstico nacional que envolvesse as racionalidades já contempladas no Sistema Único de Saúde, entre as quais se destacam aquelas no âmbito da medicina tradicional chinesa/acupuntura, homeopatia, fitoterapia e da medicina antroposófica, além das práticas complementares de saúde.


Contudo podemos observar que o chás da vovó não se resumiam apenas em questões culturais ou tradição de família, uma questão muito importante é a maneira que você faz esse chá, por isso resolvi deixar de maneira simplificada algumas sugestões pra a realização de chás de maneira segura e eficaz, seguindo de algumas indicações de uso seguidas no preparo:

  • As plantas frescas devem ser lavadas rapidamente em água corrente antes de serem utilizadas;

  • São indicadas vasilhas de vidro, porcelana, barro ou aço inoxidável para aquecer a água;

  • Evitar o uso de vasilhas de alumínio;

  • Utilizar água tratada e/ou filtrada;

  • O chá deve ser consumido no mesmo dia do preparo;

  • Fazer infuso para folhas, flores e plantas aromáticas - coloca-se a planta seca ou fresca em vasilha de porcelana, barro ou inox, adicionasse água fervente e tampasse. Após no mínimo 10 min, deve-se coar e tomar;

  • Fazer decocção para cascas, raízes e sementes - Colocar a planta fresca ou seca em uma vasilha com água e levar à fervura em fogo baixo por um tempo que pode variar entre 5 e 30 min, dependendo da consistência da parte da planta utilizada. Deve-se coar e tomar.


Algumas indicações de chás:


  • Chá de Camomila (Matricaria chamomilla)

Fazer infusão. Melhora gases, diarreia nervosa, colite, gastrite e hemorroidas.

  • Boldo (Peamus boldos)

Fazer infusão. A boldina é um alcaloide derivado do Peumus boldus, sendo este o principal componente do chá de boldo. Esse alcaloide possui uma atividade antioxidante significante, sendo capaz de melhorar a atividade do fígado e assim contribuir para a destoxificação hepática.

  • Hortelã (Mentha piperita)

Fazer infusão. Melhora a digestão pelo relaxamento da musculatura lisa do trato gastro intestinal e aumento da secreção biliar.

  • Erva-cidreira (Lippia citriodora)

Fazer infusão. Melhora a cólica e gases. É anti-inflamatória.

  • Gengibre (Zingiber officinale)

Fazer decocção de 1 colher de chá da raiz triturada em 1 xícara de água. Aumenta o peristaltismo, é termogênico, melhora náuseas e enjoo.

  • Chá Verde (Camellia sinensis)

Fazer infusão. Tem ação antioxidante, termogênica, anticancerígena e de melhora da capacidade cerebral evitando alguns tipos de demência.

  • Chá de Unha-de-gato (Uncaria tomentosa)

Fazer decocção. É anti-inflamatória e moduladora do sistema imunológico. Possui comprovadamente atividades antioxidantes, anti-inflamatórias e tem sido empregada em doenças como o câncer, resfriados e gripe, úlceras gástricas, doenças inflamatórias intestinais e artrite reumatoide.


Seu uso não é recomendado na gravidez ou lactação (porque ainda não foi plenamente investigada nessa população) e em pessoas que utilizam algumas medicações.

  • Canela (Cinnamomum verum)

Fazer decocção. Tem efeito anti-inflamatório, antimicrobiano, antioxidante, antitumoral, antilipemiante e imunomodulador. Tem também ação hipoglicemia.

  • Mulungu (Erythrina velutina)

Fazer decocção. Diminui a ansiedade, combate a insônia e melhora a tensão muscular.

  • Dente-de-leão (Taraxacum officinale)

Fazer decocção. Tem sido usado para tratar má digestão, azia, distúrbios no baço e fígado e em inflamações. A Anvisa alerta que ele deve ser evitado na presença de obstrução dos ductos biliares e do trato intestinal.

  • Melissa (Melissa Officinalis L.)

Fazer infusão. É calmante e ajuda a diminuir a ansiedade.

  • Espinheira santa (Maytenus ilicifolia)

Fazer infusão. Tem atividade cicatrizante sobre a mucosa do estômago. Tem também efeito anticâncer. Pode ser usada para melhorar a digestão e reduzir a distensão abdominal, gases e dores, esofagite de refluxo e hérnia de hiato.


Além disso, pode estimular a menstruação e equilibra o estrogênio durante a menopausa. Contraindicada para mulheres que querem engravidar, gestante, lactantes e pacientes com câncer estrogênio dependentes.


Atenção: chás comerciais, na maioria das vezes, estão disponíveis em saquinhos contendo 1g a 2g de ervas já convenientemente trituradas. Devido ao seu caráter mais pulverizado, os chás de saquinhos, além da maior praticidade, possuem uma extração mais eficiente. Entretanto, formas mais pulverizadas deixam os ativos mais expostos a fatores externos, principalmente umidade, podendo assim comprometer a qualidade do produto bem como seu efeito fitoterápico, ou seja pra fins medicinais dê preferência a aquisição de plantas medicinais ou ervas in natura. Profissionais habilitados para prescrição de fitoterápicos, tendo uma especialização de fitoterapia aplicada de acordo a sua área: Médico, Nutricionista, Cirurgião Dentista, Médico Veterinário e Farmacêutico estão habilitados a prescrever os fitoterápicos. O Terapeuta, o Acupunturista e o Naturólogo estão habilitados a RECOMENDAR OU SUGERIR o uso de fitoterápicos e plantas medicinais.



Cíntia Catherine Bueloni

Pós graduada em fitoterapia

aplicada a nutrição clínica,

Educadora física, Personal treiner

e Acadêmica de nutrição.

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