Prefeitura de Juazeiro acerta ao tentar impedir a queima de fogos e de fogueiras


Decreto que proíbe a queima de fogos e de fogueiras nos bairros da zona urbana de Juazeiro e nos núcleos urbanos da zona rural, pode até ser ilegal, mas é a atitude mais correta e humana nesse período de Coronavírus.

Por Sidney Lima

Na última sexta-feira (5), a Prefeitura de Juazeiro tornou público o Decreto que prevê a cobrança de multas, que variam entre R$ 133,00 a R$ 1.330,00, para quem resolver acender fogueiras ou queimar fogos de artifício, tão comuns no período junino, mas que deixa a população vulnerável às doenças respiratórias, que costumam encher os hospitais, em decorrência da fumaça.


O Decreto atinge, principalmente, aos vendedores desses materiais utilizados nos festejos. Para eles, sabemos que a medida irá ser bem dura, pois, como dependem de diversas autorizações municipais para o funcionamento de seus comércios, poderão ter uma fiscalização bem eficiente.


Entretanto, para os moradores de diversas ruas que tradicionalmente se enchem de fogueiras e de pessoas que iluminam a cidade com diversos, barulhentos e coloridos fogos de artifício, não sabemos como a fiscalização poderia ser efetiva e a cobrança das multas poderia ser efetivada. E, por outro lado, vivemos ao lado de Petrolina e bem próximos de Sobradinho e outras cidades e lugarejos que poderão estar livres desta fiscalização da Prefeitura de Juazeiro. E aí, o que fazer?


Dessa forma, como existem diversos buracos para conseguirmos o total cumprimento do Decreto, mas, principalmente, por não nos preocupamos com as possíveis retaliações aos infratores, mas sim com a saúde de quem precisa, entendemos que a conscientização de toda a população será mais eficiente para que essa ação, tão necessária para se evitar casos de doenças respiratórias que possam aumentar a demanda dos centros médicos, que já estão em estado de alerta por conta do vírus que nos atormenta, bem como para se ajudar na recuperação de quem já vem sofrendo com essas mazelas, tipo a dos próprios portadores de Covid-19, possa ser repleta de êxito.



A intenção das autoridades de saúde, como da Dra. Fabíola, Secretária de Saúde de Juazeiro, deve ser encarada como uma atitude de respeito, em favor da recuperação dos necessitados, principalmente pela forma que ela usa para expor seu posicionamento. “Essa medida se faz muito necessária, pois assim evitamos que mais pessoas busquem atendimento para tratar de problemas do sistema respiratório os quais podem ser evitados. Sabemos que é uma tradição cultural não só de Juazeiro como de todo o Nordeste, mas estamos vivendo uma situação delicada na saúde e todas as precauções fazem uma grande diferença”, arrematou a Secretária.


Ora, independente das questões políticas ou das mancadas de nosso Prefeito Paulo Bomfim, em diversas ações e deliberações de Decretos, nos fazer, constantemente, criticar suas práticas, até por estarmos em um sistema democrático de direito, que nos permite a tão falada e discutida liberdade de expressão, temos que enaltecer os acertos pelas boas intenções. Mesmo sabendo que as práticas proibitivas nesse novo Decreto atinjam diretamente as crenças religiosas de diversas pessoas, há de se entender a necessidade de respeito à boa convivência em sociedade e atender ao solicitado/determinado.


Aí nosso leitor nos pergunta: e as promessas religiosas que foram feitas, como serão pagas?


Vamos tentar entender que todas as crenças que fazem os devotos acenderem fogueiras e comemorarem com fogos, por exemplo, as datas de homenagem a São Pedro, São João, Santo Antônio e todos os demais que nos fogem à memória agora, são crenças de pessoas que também prezam pela vida e pela saúde do próximo. Ou seja, com certeza, nenhum líder de católicos, espíritas, evangélicos e/ou religiões de matrizes africanas, seria contra a ideia de se elevar a fé e de se pedir perdão pelo atraso no cumprimento de sua promessa, para que outras vidas possam ser preservadas. Mas, se, ainda assim, alguma atividade religiosa tenha que realmente ser cumprida neste momento, que seja em ambiente que permita o respeito aos enfermos, como, por exemplo, em roças, chácaras, sítios ou fazendas, que são locais onde as famílias possuem casas distantes umas das outras, permitindo a recuperação de quem precisa nos centros populosos do município. É só uma questão de adequação à realidade e às necessidades atuais.


Entendamos que falta menos do que faltava, desde o início do isolamento social, para que possamos retomar a normalidade de nossas vidas. E que a Prefeitura nem sempre erra em suas intenções, mesmo que um Decreto nos pareça uma forma opressora de manipulação do comportamento sociocultural da cidade. Entenda que muitos membros de nossa sociedade não entendem e não respeitam nem as leis que nos regem. Imaginem se tentássemos, apenas, a pura e simples conscientização popular? Seria impossível. Por isso, nesse caso, entendemos a necessidade das duas formas de atuação: a conscientização (ideal) e a repressão (necessária). Mas que, como o Governo Federal e algumas Prefeituras, como o de Salvador, têm se preocupado com os profissionais que estão sem poder trabalhar em épocas de pandemia, ajudando-os com auxílios sociais, os vendedores de fogos de artifício precisarão ser assistidos em Juazeiro, com a implementação desse Decreto. Vamos aguardar as cenas dos próximos capítulos, pois toda ação gera uma reação. E esperamos que Paulo Bomfim tenha pensado, também, nessa questão da economia dos que sobrevivem com os festejos juninos, em todos os sentidos.



Sidney Lima

Pós-Graduado em Administração

de Segurança Pública e em

Publicidade e Propaganda

Siga-nos em nossas redes sociais

  • Facebook - Grey Circle
  • Twitter - Grey Circle
  • YouTube - Grey Circle
  • Instagram - Grey Circle

Notícia

Desenvolvido por

© 2018-2019. Todos os direitos reservados.

CaJú Publicidade Ltda

CNPJ: 21.107.640/0001-75

Marca_CaJú_PNG.png

Av. Flaviano Guimarães, 333, Cajueiro, Juazeiro - Bahia - Brasil 48904-087