“Respeita a imprensa, Vossa Excelência, Presidente”.



Por Iuric Pires


A cena se repete: dia de coletiva de imprensa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é também de humilhação aos profissionais de comunicação. O desdém e deboche do maior cargo executivo do país aos repórteres e jornalistas têm ficado cada vez mais evidentes. A última, que viralizou internacionalmente, foi a frase “tenho vontade de encher a tua boca de porrada”, direcionado a um jornalista do “O Globo”, ao ser questionado porquê a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz.


É vergonhoso ver o quanto as atitudes de Jair Bolsonaro ferem a liberdade de imprensa, instrumento essencial para a democracia. Parece que, para o egocentrismo do presidente, todos os profissionais que estão ali, sempre ouvindo provocações e ameaças, o fazem apenas de “pirraça”, tal qual crianças do Ensino Fundamental na escola. As ofensas são praticamente diárias. Se, no Domingo, as palavras foram de ameaça à integridade física, na segunda-feira (24), o presidente voltou a atacar: chamou os jornalistas de “bundões”, ao se referir que “quando a Covid-19 (doença que já matou mais de 114 mil brasileiros) pega um jornalista “bundão” a chance de sobreviver é menor”.


A estratégia de Jair Bolsonaro em desqualificar a imprensa não é nova. Desde o início do seu governo, qualquer veículo de comunicação que ouse apenas noticiar os fatos referentes aos atos equivocados de sua administração é considerado inimigo, O jornalismo deve cumprir o papel de informar a população a partir da apuração de fatos e acontecimentos, mas para o presidente estes “usam a caneta para fazer maldade” (parafraseando o próprio Bolsonaro). Para o presidente, apenas os veículos que falam bem dele e do seu governo têm credibilidade. A prática “namora” com a época da Ditadura Militar no Brasil, onde só era permitido falar o conveniente ao governo militar que ficou no poder de 1964 a 1985.


Levantamento da Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ, divulgada em 2 de julho, registra 245 ocorrências de janeiro a junho de 2020 de agressões de Jair Bolsonaro contra jornalistas. Desse total, 211 foram categorizadas como descredibilização da imprensa, 32 ataques pessoais a jornalistas e dois ataques contra a federação. 


Com seus discursos destemperados, além de ofensas e ameaças cada vez mais contundentes, o presidente vem sendo condenado por entidades como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo - ABRAJI. Em nota, a ABRAJI afirma que “[O episódio do dia 23 de agosto] foi não apenas incompatível com sua posição no mais alto cargo da República, mas até mesmo com as regras de convivência em uma sociedade democrática. Um presidente ameaçar ou agredir fisicamente um jornalista é próprio de ditaduras, não de democracias”, diz a nota assinada também pelas organizações Artigo 19, Conectas Direitos Humanos e Repórteres sem Fronteiras.



Iuric Pires Martins

Bacharel em Relações Internacionais,

Especialista em Gestão de Pessoas

com Ênfase em Gestão por Competência

na Gestão Pública e Mestre em Dinâmicas

de Desenvolvimento do Semiárido.

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